Apresentação para ambientação: A expansão, interiorização e implantação dos institutos federais

Resumo da apresentação do prof. Jesué G. Silva para novos servidores em Programa de Ambientação – dia 3 de dezembro de 2012

A expansão, interiorização e implantação dos institutos federais

É uma satisfação participar desse tão importante momento para a consolidação do IF-SC: a ambientação e integração dos novos servidores. Desde 2008 tenho participado dessas atividades, que têm melhorado a cada dia. Sabemos que isso é resultado do trabalho dedicado da equipe da DGP ao longo dos anos.

Considero que essa é uma grande oportunidade de troca de idéias e de integração.

A renovação do quadro de servidores do IF-SC está acontecendo nesses últimos anos de forma bastante acentuada.  Esse é um momento histórico, onde passamos de pouco mais de 500 servidores para quase 2000 em um intervalo de apenas 6 anos. Eram 5000 estudantes em 2006 e estamos hoje com quase 15 mil. São mais de 30 pólos de EAD. Possuíamos 3 campi até a metade do ano de 2006. Hoje são 18 campi já construídos e mais 3 em início de suas obras (Tubarão, São Carlos e Garopaba).  Mais de 50% dos servidores possuem menos de 5 anos de IF-SC, o que oportuniza o surgimento de novas idéias para o desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem.

Esse é um momento interessante para pensarmos sobre nosso papel enquanto servidores públicos da educação profissional e tecnológica: Sejamos docentes ou administrativos temos uma missão muito nobre: Transformamos as vidas de milhares de catarinenses por meio da educação profissional.

Nos últimos  10 anos a instituição mudou muito. Passamos de ETF-SC para CEFET-SC em 2002. Em 29 de dezembro de 2008 foi publicada a Lei 11.892/2008, que transformou o CEFET-SC em IF-SC. Isso aconteceu há pouco menos de 4 anos. Tudo é muito novo. Muito já se fez, mas muito ainda é preciso ser realizado para a consolidação da transformação do CEFET-SC em IF-SC.  Por isso é fundamental momentos de integração e ambientação como estes.  Serão os novos servidores que terão a responsabilidade de levar adiante o legado das gerações anteriores que construíram uma das mais importantes instituições de educação profissional e tecnológica do país.

A renovação do quadro de servidores é uma grande oportunidade: novos servidores trazem idéias novas. Mas isso não significa desconsiderar a experiência dos servidores mais antigos. Penso que devemos trabalhar de forma integrada aliando a experiência com a inovação. É importante lembrar que entre os novos servidores há pessoas com grande experiência profissional. Isso só vem a somar com a cultura organizacional já existente no IF-SC.

Nesse ano de 2013 estarei completando 20 anos de instituição. Ingressei na então ETF-SC em 1993.  Desde 2002 tenho acompanhado de muito perto todo o processo de evolução da instituição. Assumimos a Direção do Campus São José no início de 2003. Naquela época ainda não se falava em expansão da rede EPT. Havia uma lei federal que impedia a construção de novas escolas sem a parceria com a iniciativa privada.  Lembro-me que o processo de expansão se iniciou ainda como uma promessa de campanha para Direção Geral do então CEFET-SC (final de 2003): interiorização do CEFET-SC.

Se formos mais rigorosos, podemos dizer que a expansão do IF-SC não se iniciou com o Plano de Expansão I.  Ela começou bem antes com a instalação da Unidade São José em 1988, que foi a primeira unidade descentralizada da então ETF-SC.

Depois foi implantada a Unidade Descentralizada de Jaraguá do Sul em 1994.

A partir do sucesso comprovado de seu modelo de gestão participativa, São José tornou-se uma referência para os campi da expansão I. Foi em São José que foi implantado um dos primeiros colegiados da comunidade escolar do país. Nesse fórum alunos, pais, professores e administrativos discutiam os rumos da então UnED São José.

Ter um colegiado era uma novidade no início da década de 90 porque o país estava se redemocratizando a partir da Constituição cidadã de 1988.
O processo democrático que vivenciamos no campus São José possibilitou a participação dos estudantes e servidores nas decisões mais importantes e isso é um orgulho para todos nós.

Nossa expectativa é que os novos servidores deem continuidade a esse processo democrático. A participação dos alunos é fundamental. Entendemos que um dos papéis de uma instituição de ensino é também moldar a sociedade que sonhamos. A democracia começa na escola. Temos que incentivar nossos alunos a  votarem, a participarem dos colegiados, a implantarem os centros acadêmicos e grêmios estudantis.

Realizada essa pequena introdução gostaríamos de refletir um pouco sobre a importância da expansão, da interiorização e da implantação do IF-SC.

Algumas pessoas pensam que expansão e interiorização são a mesma coisa. Mas a rede EPT poderia ter se expandido apenas para as grandes cidades que estão próximas do litoral.  Basta analisar um livro de geografia para observar que as maiores cidades brasileiras estão localizadas a uma distância próxima de 100 km do litoral. No entanto, 84% das cidades brasileiras possuem menos do que 30 mil habitantes.

Efetivamente o que ocorreu foi a interiorização da educação profissional e tecnológica, atendendo cidades afastadas que nunca haviam sonhado em possuir um campus.

Compreendemos que a expansão e interiozação da rede federal ocorreu a partir da acertada decisão política de que o desenvolvimento do país passa pelo desenvolvimento de seu interior.  Nos ultimos anos diversas ações estruturantes vem sendo adotadas para isso. A interiorização da educação profissional e tecnológica é uma das ações estratégicas dentro desse universo.

Uma análise do ranking das cidades que mais crescem no Brasil confirma essa tese.

Podemos analisar a força da expansão analisando o mapa da expansão disponível no site da SETEC:  http://portal.mec.gov.br/expansao/

Poderíamos fazer uma pergunta interessante: Nos últimos 10 anos o que foi mais importante ?  A expansão ou a implantação do IF-SC e do IFC ?

Em uma primeira leitura, a expansão parece ter sido o mais importante. Saimos de 6 campi no estado para 35 com o IF-SC e o IFC.

Mas se olharmos de forma estratégia e considerarmos que as 154 escolas da rede EPT não eram integradas efetivamente, a transformação em Institutos Federais possibilitou algo novo que é o compartilhamento das boas práticas entre todas as instituições.  As estruturas administrativas não eram similares e isso dificultava a comunicação e articulação, que existia de forma tímida.

É evidente que se tivesse havido a transformação em Institutos Federais sem a expansão não teríamos também o resultado esperado: levar educação profissional e tecnológica para quem mais precisa.

Compreendemos que o governo federal concebeu o processo de transformação no momento certo de rearranjo e expansão da rede.

Compreendemos que as pró-reitorias de desenvolvimento institucional possuem um papel muito importante nesse processo de implantação e expansão. Precisamos crescer de forma organizada. Mas é como mudar o pneu da bicicleta com ela rodando ou aumentar o tamanho do avião em pleno voo.

Por isso temos tantos desafios a serem superados. Seria mais fácil implantar o IF-SC se a expansão fosse mais lenta. Mas aprendemos que o tempo político é diferente do tempo técnico. Se fóssemos esperar uma maior organização interna provavelmente não faríamos a expansão e não atenderíamos aquelas cidades que eram esquecidas pelo poder público e que tanto precisam da educação profissional pública e de qualidade.

Alguns questionam a localização dos campi da expansão. No plano de expansão I, o critério adotado para posicionar os novos campi foi espacial.

O objetivo foi atender cidades em todas as regiões do estado. Nessa fase implantamos Chapecó no oeste, Joinville no norte e Araranguá no sul de Santa Catarina. Também implantamos o campus Florianópolis-Continente, que foi federalizado.

Já os campi do Plano de Expansão II foram implantados para atender aos arranjos produtivos locais (2007).

Em julho de 2007  participamos de uma comissão nacional que realizou a avaliação dos projetos de implantação submetidos pelas prefeituras em todos os estados. Avaliamos informações sobre APL e contrapartida das prefeituras (doação de prédios existentes, terraplanagem, equipamentos, mobília etc).

A partir desse processo, SC foi contemplada inicialmente com 7 novos campi (São Miguel do Oeste, Canoinhas, Lages, Criciúma, Itajaí e Gaspar).

Se a expansão tivesse parado nessa fase teríamos apenas 13 campi.

Posteriormente, a partir de mobilização de munícipios, de lideranças políticas e de proposição da SETEC, foram incluídos novos campi ao IF-SC (Chamada de expansão 2.5).
Nessa etapa iniciamos a implantação dos campi de Xanxerê, Geraldo Werninghaus, Caçador, Garopaba, Palhoça Bilingue e Urupema.

No ano de 2011, já no Plano de Expansão 3 fomos contemplados com os campi São Carlos e Tubarão. O governo federal estabeleceu como critério atender aos territórios de cidadania, os APLs e os municípíos mais pobres, mesmo sendo populosos.

Não apenas em Santa Catarina está acontecendo essa verdadeira revolução da EPT.

O processo de expansão está acontecendo em todo o país de forma muito intensa.
Serão 562 campi até o final de 2014.

Após o trabalho como Reitor pro tempore do IF-Farroupilha nesse ano de 2012 foi possível observar que os problemas das insittuições federais são os mesmos. Por isso é fundamental a troca de experiências.  O compartilhamento de boas práticas é o caminho mais eficiente para a melhoria dos campi e dos institutos.

A transformação em institutos possibilitou que a maioria da rede tivesse uma estrutura comum.

É importante que os servidores mais novos saibam que o processo de transformação em IF-SC ocorreu de forma muito democrática, sendo um exemplo para todo o país.

O Conselho Diretor coordenou o processo e definiu que seriam elaboradas duas teses:  uma favorável e outra contrária à transformação. Foram realizados 18 debates em todos os campi mostrando os prós e contras da transformação. Cada tese teve o mesmo tempo de exposição. No dia 6 de março de 2008, 76% dos alunos e servidores aprovaram a tese favorável à transformação. Contamos um pouco dessa história no livro blog.

O desafio trazido com essa decisão é garantir a oferta de 50% de vagas para cursos de nível técnico.  Esse tem sido o grande diferencial da rede nos últimos 103 anos e não pode ser abandonado em detrimento dos cursos superiores. Eles são importantes, mas não podem comprometer a oferta de cursos técnicos de qualidade.  Também precisamos aprender a trabalhar de forma integrada. Temos que garantir que as estruturas correlatas dos campi e da Reitoria possam dialogar de forma permanente. Com as novas tecnologias, webconferências já são utilizadas para integração das equipes.

No modelo de gestão em rede não há possibilidade de um campus trabalhar de forma isolada. Há apenas um IF-SC. A Reitoria tem o papel de colocar em discussão e aprovar as diretrizes que devem ser seguidos por todos.  Por isso devemos encontrar o equilíbrio entre autonomia e identidade institucional.

Podemos afirmar que a implantação dos novos campi em todo o país está contribuindo com o desenvolvimento econômico do país.

Novas empresas estão sendo implantadas nas cidades em que temos campi instalados.  Nossos alunos são empreendedores por natureza.

Por isso, temos a expectativa que em 10 a 20 anos ocorrerá melhoria dos índices de desenvolvimento humano das cidades que receberam novos campi.

Os dados estatísticos que relacionam grau de escolaridade e IDH apontam nesse sentido.

Analisar objetivamente os impactos da implantação dos novos campi no desenvolvimento do estado de Santa Catarina é um dos desafios que temos.

Atenciosamente,

Prof. Jesue Graciliano da Silva

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *